domingo, fevereiro 11, 2018

SYLVIA PLATH ON THE BEACH (27/10/1932 - 11/02/1963)





À beira do mar, na areia do meio-dia
Os teus lábios mantêm um sorriso inconsumível
Nem o vento arranca fios de ouro aos teus cabelos
Na pose de quem tem os olhos nas coisas singulares.
Todo o princípio da poesia
Sob a capa transparente do sol ao longo do teu corpo
Preparavas o salto felino da beleza
Que ainda hoje nos devora.

11/02/2018
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quarta-feira, janeiro 31, 2018

A VIGÍLIA



(On Watch, Eilif Peterssen, 1889)


Começam primeiro a chegar os destroços
A madeira que fortalecia o casco
E adornava o olhar que pensava
Nos descobrimentos, as velas com o sal
Sem vento agora, depois virá
A saudade nas primeiras ondas
Porque o fundo do mar atrasa os desenlaces
E o luto, brota da água na praia onda após onda
Suavemente a flutuar, o amor do mar há-de
Lançar um corpo e outro corpo
Do fundo do oceano, vindos de um céu feroz
Ainda assim azul. Aqueles que amamos
Podem voltar, para guardarmos os silêncios.

31/01/2018

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sexta-feira, janeiro 05, 2018

EM TODO O LADO HÁ DEUSES




Li que Paulo ao chegar aos gregos teve um espanto
E irritou-se com o encontro de um deus em todo o lado
Um deus sem nome a quem chamar
Um deus desconhecido, não sabemos
Que tarefas empreendeu, ou que palavras disse
De veludo ou afiadas como facas
Um deus que nem sabe que há humanos
Li algures que Paulo ao chegar aos gregos
Via-os tactear entre esses deuses
Que havia muito tempo ninguém via
Como o rio Ilisos
Sem nomes a não ser de mistério e de silêncio.

05/01/2018

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segunda-feira, dezembro 18, 2017

CÂNTICO DE NATAL DE MARIA



Estou grávida e José deu-me um anel, diz
Que aceita o meu bebé, vai criá-lo
Como se fosse seu, o mistério
Fazer da madeira um utensílio
Vai passar ao meu menino, vai crescer
A maravilha no meu ventre, soa
Ainda em meus ouvidos a alegria
Do Eterno na voz daquele anjo
Que me disse agraciada, bendita
Tu entre as mulheres, estou grávida
E a luz vai apagando devagar
Todas as sombras do meu corpo
 E os meus olhos já sentem as suas mãos
Pequenas a salvar o mundo.

17/12/2017

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segunda-feira, outubro 23, 2017

UM VELHO E O VENTO



Ao longe. Não tão longe que o vento não possa
Trazer até mim nos seus lábios uma flauta, sinto
Que alguém canta, o silêncio de alguém
Que se contenta em cantar
Ao longe talvez sob uma ponte, numa estação
De comboios a limpar a noite dos seus olhos
Ou à beira do rio a ouvir a realidade das águas
Alguém que tacteia no rosto beijos infinitos
Que perdeu, que desenrola nos dedos
Os fios invisíveis que sobram de um rosto amado
Ao longe, onde tudo está perdido.

23/10/2017

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segunda-feira, outubro 09, 2017

Blogue Nota Terapia - Brasil

e.e.cummings

http://notaterapia.com.br/…/os-10-melhores-poemas-de-e-e-c…/
Com um poema traduzido por J.T.Parreira (o nº 3)



3- Buffalo Bill

Tradução de J.T.Parreira
o defunto
que costumava
montar um garanhão
de prata como água macia
e rebentar umdoistrêsquatrocincotiposdeumavez
oh céus
era um homem bonito
e o que eu desejo saber é
o que lhe parece esse rapaz de olho azul
Senhor Morte